\\ Blog diário de bordo

2 Feb 2012

BACK TO THE ROAD !

Este blog ocupa-se em espelhar a vida real, bem o sabem os que o seguem. E esta de objetiva guarda pouco, sendo feita tanto de avanços quanto de desvios, pausas e recuos. Após uma interrupção que totalizou 56 dias, durante a qual a convite de amigos vim rever o torrão natal, retomo agora teclas e pedais. Na sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012, embarco numa aeronave da Pluna rumo a Asunción, onde aguarda minha bicicleta, a protagonista deste nosso reality show sem líder ou premiação.

Durante este tempo muitas coisas aconteceram, a começar pela morte da Tonheta, minha mãe, em cujas exéquias – graças a esta longa curva que fizemos – me foi dado comparecer. Ela se foi 3 dias após minha chegada… Desnecessário dizer “que Deus a tenha”, porque Deus ou a tem ou não existe.

O reveillon, para desmagoar, passei-o entre amigos. Fui para Ubatuba…

… mais especificamente para a praia do Puruba…,

… onde na companhia do Edsão, Emersão, Paulinho, Carlito e tantos outros chegados, pude – apesar de tudo – dar as boas-vindas ao novo ano que se descortinava.

De volta a São Paulo, cidade em que nasci, pude valer-me de seus cada vez mais modernos meios de locomoção…

 

… para ir de um canto a outro, incessantemente. Nestas idas e vindas, em busca de cura para a cervicobraquialgia que me oprimia, findei por dar com os costados no ABC, em São Bernardo do Campo…

… e em Santo André…,

… cidade em que fui criado, onde graças aos inestimáveis préstimos do neurocirurgião Dr. Jorge Moscardi pude ver regredir as dores que me afligiam. Valeu, Jorginho, viva a “Técnica de Fischer” e obrigadíssimo, irmão!

Fiquei por muito tempo aguardando a confirmação da volta pelo Brasil que faria em bicicleta, com vistas à Rio+20, evento agendado para junho no Rio de Janeiro.  Ao cabo desta espera, porém, concluiu-se que tal viagem – repleta de deslocamentos motorizados – seria ecologicamente inviável. Perdi o tempo que tinha para a busca de patrocínio, mas segue a saga.

De novidade, o fato que agora alguns ônibus ostentam no painel frontal, à vista dos passageiros, a velocidade desenvolvida no momento.

Maravilha.. Transparência já, até na velocidade do bonde! E também o fato de que graças à minha amiga Marcinha agora estou dando a devida atenção às minhas até então irregulares contribuições ao INSS. Afinal, embora pedalando, envelheço a cada dia… Por fim, as alvíssaras mais correlatas a esta aventura: a partir de agora o Projeto Rodas Livres passa a contar com o patrocínio parcial da HDI Brasil, uma das mais destacadas companhias de help desk de São Paulo, por obra de meu caríssimo amigo Luiz Couto, a quem conheço dos tempos em que rachávamos um quarto e um monte de dificuldades na Londres dos idos de 83.

Estive a maior parte do tempo em São Paulo, com algumas incursões em Piedade, na casa de meu irmão Dédo. Registro aqui minha gratidão a todos os que me deram guarida: Edélcio, Angela, Geléia, Zéca, Carlinhos, Marcinha, Claudinha e Eunice. Foi um tempo estranho, em que estando em minha cidade não consegui sentir-me em casa… aliás, fiz mesmo questão de não passar defronte ao meu apartamento na Rua Frei Caneca, Bela Vista. Neste regresso, portanto, voltei meu país, mas não ao meu lar.

Dentre as viagens (que tratei de fazer mesmo sem ser pedalando), uma foi para explorar Águas de Lindoya, onde a Claudia e eu pudemos saborear um dia de chuva que nem por isso foi menos delicioso.

Aproveitamos para passar por Bragança Paulista, Lindoya, Serra Negra, Jaguariúna, a mineira Monte Sião e mais alguma que não me lembro. Tudo isso num giro só, decidido de última hora.

Em Santo André, revi minha querida titia Maria, a última tia que me resta, de um total de 10 tios. Com meu primo Ivan Chico, almoçamos celebrando o prazer de estarmos juntos e saudáveis.

Dediquei-me à leitura de dois clássicos: O Nome da Rosa, de Umberto Eco, e Os Irmãos Karamázovi, de Fiódor Dostoiévsky, o qual ainda não concluí. De ambos extraí inúmeros termos que me eram desconhecidos ou, pior, mal conhecidos. Enriqueci assim em umas 800 palavras o meu parco português.

E agora retomo a estrada, levando a reboque todo aquele que não tenha desviado à lixeira os avisos de novos posts. Para mim segue intocado o prazer de partilhar, real time, cada metro do caminho, com suas delícias e desventuras. Abre-se outra vez, por conseguinte, o fórum para bem-vindos pitacos gerais.

Para agilizar esta viagem, penso em acelerar em 33% as pedalagens, circulando um dia sim e outro não (até então era um pedalado para dois parado). Num futuro próximo, talvez passe a pedalar todos os dias. Que fique claro, porém, que quanto mais pedalo menos posto. Serão menos fotos, menos videos e (bem) menos textos… E por fim talvez acabe acatando a sugestão do Luiz, de postar uma ou outra foto no Facebook e no Twitter, em detrimento dos longos e elaborados posts que venho publicando até aqui. Nesta vida, há que se escolher… e cada decisão implica em abdicar de alguma outra coisa.

Aliás, a este respeito concluo deixando aqui um conselho a futuros cicloturistas que porventura venham, como eu, a ser convidados a retornar temporariamente à sua terra natal: se optarem por aceitar o convite, estejam preparados para um inesperado efeito colateral – a reconsideração. Ou seja, uma vez de volta a seu ambiente familiar, envolto em circunstâncias distintas daquelas que o levaram a optar a sair por aí, talvez você se sinta compelido a rever suas decisões… o que pode ser assaz prejudicial à sua aventura original.

No meu caso, embora tenha não só reconsiderado como tomado mesmo decisões que vão no sentido inverso da viagem (noivei!), retomo a estrada e sigo na rota programada. Como se sabe, “aventura” é um vocábulo de muitas acepções.

 

 

RESUMO CICLÍSTICO:
suspenso até retorno à estrada

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